Agro tem 60% menções negativas a mais do que positivas em livros didáticos

Por falta de dados científicos atualizados o agronegócio está associado a destruição ambiental em livros nos ensinos fundamental I e II e no ensino médio

Agro tem 60% menções negativas a mais do que positivas em livros didáticos

Nas últimas décadas o agronegócio brasileiro passou por uma grande transformação.

O produtor rural aprendeu que boas práticas no campo são mais rentáveis e refletem na rentabilidade. Com ciência e tecnologia o setor aumenta em cerca de cinco vezes a produção de grãos com o máximo rendimento da área plantada. Atualmente as fazendas do país preservam 1/3 de toda a vegetação nativa do país.

Além disso, o setor contribui para cumprir os compromissos do Brasil no sentido de conter o avanço das mudanças climáticas e restaurar, pelo menos, 1 bilhão de hectares degradados de terra na próxima década, entre outros avanços. Apesar de muitas mudanças,  a imagem distorcida do setor nos livros didáticos ainda permanece.

Por falta de dados científicos atualizados o agronegócio está associado a destruição ambiental em livros nos ensinos fundamental I e II e no ensino médio.

Por isso, um estudo, solicitado pela Associação De Olho No Material Escolar, reuniu 12 analistas de conteúdo e especialistas do agronegócio, durante mais de 3 mil horas, para avaliar de forma isenta mais de 9 mil páginas de dez das principais editoras que fornecem livros para o Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), utilizados nas redes pública e privada em todo o Brasil.

Como resultado da pesquisa, foram identificadas 746 passagens negativas (ou “fortemente negativas”) sobre o setor rural nos livros da amostra, 60% a mais que menções positivas.

Monocultura, desmatamento, uso de agroquímicos e problemas fundiários são temas recorrentes, sendo a absoluta maioria em textos autorais e opinativos, o que só reforça a preocupação da Associação.

“Para nós da De Olho no Material Escolar, é fundamental que crianças de todas as regiões do país tenham acesso a informações legítimas sobre sustentabilidade, tecnologia e inovação no campo e os impactos dessa prosperidade nas cidades. Por meio de uma educação atualizada, com base científica e transformadora, queremos estimular desde cedo nos estudantes sentimentos como encantamento e esperança com as novas oportunidades que vem se abrindo”, explica a presidente da entidade, Letícia Jacintho, que completa.

“O setor tem grandes desafios, sim, mas a atividade evoluiu e queremos que fique clara aos alunos a realidade atual do agronegócio”.

Criada em junho de 2021, a Associação atua em cinco frentes para construir pontes entre instituições acadêmicas ligadas ao segmento agroindustrial brasileiro e o setor educacional, especialmente as editoras de livros escolares, além de educadores, pais e estudantes.

Antes de procurar a FIA/USP, o movimento teve diversas reuniões com representantes da área para conhecê-los, promover esse relacionamento e disponibilizar ferramentas tecnológicas e informações científicas que deem uma dimensão mais sistêmica da relação campo-cidade, por exemplo.

Outro ponto crítico é como uma imagem distorcida do setor pode ameaçar a sucessão geracional. Letícia Jacintho acredita que, com base em exemplos da agroindústria, é possível oferecer aos jovens uma perspectiva de futuro profissional e garantir a continuidade da produção, outra das linhas de atuação da Associação.

Crescimento

No ano passado, De Olho no Material Escolar teve um crescimento de 158% no número de associados e hoje está presente em 16 estados e mais de 90 cidades, além de contar com cerca de 30 empresas apoiadoras e o suporte de dezenas de entidades e profissionais envolvidos.

A associação ainda conta com o apoio direto dos principais centros de pesquisa brasileiros, como Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que oferecem a base científica para a entidade.

Em 2022, a associação esteve nos quatro cantos do país compartilhando informações relevantes sobre o setor rural. Foram mais de 26 eventos, nas maiores exposições do país, e quase 9.000 alunos e mestres da rede pública e particular, do ensino fundamental e médio, convidados a conhecer a realidade da produção rural atual, no projeto “Vivenciando a Prática”.