MEDIDA EMERGENCIAL

EUA ampliam uso de etanol diante da alta do petróleo e tensões no mercado global

Medida adotada pelo governo de Donald Trump busca garantir oferta de combustíveis em meio a tensões internacionais e abre oportunidades para o Brasil

Donald Trump
Foto: Jonathan Ernst/Agência Brasil

A alta do petróleo provocada por tensões internacionais tem levado os Estados Unidos a reverem, na prática, sua política energética. Mesmo com um discurso historicamente favorável aos combustíveis fósseis, o governo de Donald Trump autorizou o aumento da mistura de etanol na gasolina como medida emergencial para conter os preços e reforçar a segurança energética.

A decisão ocorre em meio a riscos no fornecimento global de petróleo, especialmente em regiões estratégicas como o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial da commodity. Nesse contexto, o etanol deixa de ser apenas uma alternativa ambiental e passa a ocupar papel central na segurança energética.

Segundo o vice-presidente de relações associativas da Ubrabio, Carlos Eduardo Hammerschmidt, mais do que reduzir preços, a ampliação da mistura tem como principal objetivo garantir o abastecimento interno.

“A gente já vem ouvindo alguns países que vem enfrentando dificuldade na compra de petróleo. Os estoques estão abaixo da normalidade. Existem países que, quase 100% importam produtos para terem energia no país. Então, é uma questão de política interna e pode ser que não haja uma redução no preço, mas sim, garanta ao consumidor e a população o fornecimento”

O movimento também indica uma mudança mais ampla no cenário global. Diante das incertezas, diferentes países têm revisado políticas energéticas e ampliado o uso de biocombustíveis como forma de reduzir a dependência de fontes fósseis e aumentar a autonomia.

Cenário brasileiro

Para o Brasil, o cenário abre oportunidades, além do tradicional etanol de cana-de-açúcar, o país ampliou nos últimos anos a produção de etanol de milho, aumentando a capacidade de oferta e diversificando a matriz energética. Com produção recorde de grãos, o Brasil se posiciona como um dos principais potenciais fornecedores de biocombustíveis no mundo.

Outro ponto destacado por especialistas é o impacto ambiental. No caso do Brasil, a integração entre agricultura e energia pode contribuir para a redução das emissões de carbono, já que o aumento da produção agrícola está associado à captura de CO₂ por meio da fotossíntese.

Sair da versão mobile