
O mês de abril começou com mudanças significativas no clima nas principais regiões produtoras do Brasil. No quadro Que Clima é Esse?, o meteorologista Arthur Müller trouxe uma análise detalhada das tendências climáticas para o mês, com destaque para os impactos na pecuária, lavouras em desenvolvimento e chuvas nas áreas urbanas.
Temperaturas elevadas preocupam pecuaristas
De acordo com Müller, o outono já começou, mas o frio ainda não chegou em boa parte do país. A previsão do tempo em abril mostra que áreas do Sudeste e Centro-Oeste, como Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Bahia e norte de São Paulo, devem enfrentar temperaturas acima da média.
Isso pode provocar estresse térmico em animais confinados e prejudicar a pecuária leiteira, além de dificultar a recuperação das pastagens e favorecer o surgimento de pragas.
“A gente já está entrando na época de corte das chuvas. Com calor acima da média, há mais evaporação e déficit hídrico. Isso afeta diretamente as lavouras que ainda estão se desenvolvendo”, alerta Müller.
Risco de geada no Sul e chuvas bem-vindas para o milho
Já no Sul do Brasil, especialmente em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, as manchas azuis nos mapas indicam temperaturas abaixo da média. Com isso, há risco de geada nas áreas de serra no final de semana e possivelmente nas baixadas na última semana do mês, com mínimas previstas entre 3°C e 4°C.
Por outro lado, as chuvas devem retornar para a região Sul, beneficiando a segunda safra de milho no Paraná. Segundo o meteorologista, o solo mantém boa umidade em diversas áreas, o que pode garantir desenvolvimento saudável das lavouras, mesmo com chuvas abaixo da média.
Sudeste pode ter chuvas intensas em áreas urbanas
Apesar do clima seco no interior de Minas e Espírito Santo, a região da capital paulista deve registrar chuvas acima da média. Isso pode acarretar problemas de mobilidade urbana, como alagamentos e lentidão no trânsito.
“São Paulo é a única área do Sudeste com previsão de chuva acima da média. A tendência é de um mês com transtornos na cidade, mas que não favorece as áreas produtoras do interior”, explica Müller.
Abril seco para o Nordeste e Centro-Oeste
O Agreste nordestino também está na lista das regiões mais afetadas. A previsão indica que os acumulados de chuva podem ficar abaixo de 40 mm em 30 dias, quando o ideal seria ao menos 100 mm para um bom desenvolvimento das plantações.
No Centro-Oeste, especialmente em Goiás, o alerta é semelhante. Apesar da umidade do solo ainda ser razoável, a tendência é de redução acentuada da chuva, o que exige atenção redobrada por parte dos produtores que apostaram na segunda safra.
Duas frentes frias devem marcar o mês
Arthur Müller também destacou a atuação de duas frentes frias em abril. Uma já trouxe temporais para o Sudeste, enquanto outra avançou pelo Sul, com ventos superiores a 100 km/h e queda de granizo em algumas cidades gaúchas. Essas frentes ajudam a reduzir as temperaturas no Sul, mas não são suficientes para provocar geadas em áreas de baixada fora da Serra Gaúcha e Catarinense.
Para o final de abril, porém, as projeções indicam o avanço do frio para o Paraná, São Paulo e sul de Minas, mas com mínimas entre 10°C e 12°C, sem risco de geada nessas regiões.