CIÊNCIA

Pesquisadores desenvolvem biocombustível de coco e impulsionam inovação sustentável no Nordeste

Projeto do Instituto de Tecnologia e Pesquisa em Aracaju converte cascas de coco em biocombustível, reduz lixo urbano e impulsiona a economia local.

Pesquisadores desenvolvem biocombustível de coco e impulsionam inovação sustentável no Nordeste

Transformar o coco verde consumido nas praias brasileiras em combustível pode parecer ficção científica, mas é realidade em Aracaju (SE). No Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), vinculado ao Grupo Tiradentes, uma equipe liderada pelo pesquisador Cláudio Dariva, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (NUESC), desenvolveu uma tecnologia inovadora que transforma resíduos de coco verde em biocombustível.

O projeto une sustentabilidade ambiental, valorização de resíduos urbanos e geração de energia limpa. Segundo Dariva, a ideia surgiu a partir da busca por soluções baseadas em fontes renováveis de biomassa, com foco especial em resíduos sólidos urbanos que representam um problema para as cidades litorâneas.

Abundância de resíduos e solução local

“Só em Aracaju são centenas de toneladas de coco descartadas por semana”, explica o pesquisador. “Esse material é um passivo ambiental. Queremos transformá-lo em ativo energético, promovendo uma economia circular e colaborando com a transição energética do país.”

O uso do resíduo da fibra do coco verde, abundante nas capitais do Nordeste, é uma solução inteligente para o acúmulo de lixo urbano e um passo importante para a produção de energia limpa e renovável.

Como funciona o processo?

O desenvolvimento do biocombustível de coco ocorre em duas etapas:

  1. Produção do bio-óleo: A fibra do coco passa por um processamento que a transforma em um tipo de petróleo verde, chamado bio-óleo.
  2. Refino do combustível: Esse bio-óleo é então refinado para gerar derivados como querosene de aviação, nafta, gasolina e diesel – todos de origem renovável, substituindo os combustíveis fósseis.

A tecnologia já está comprovada em laboratório, e agora os cientistas trabalham na ampliação da escala de produção para realizar estudos de viabilidade econômica.

Energia limpa e economia local

Segundo Cláudio Dariva, os principais benefícios são:

  • Ambientais: a biomassa vegetal usada como base é neutra em carbono, já que a planta absorve CO₂ durante seu crescimento.
  • Econômicos: a iniciativa pode gerar empregos locais, movimentar a economia com a criação de uma nova cadeia produtiva e reduzir custos com a gestão de resíduos urbanos.

“Estamos em uma fase promissora, produzindo litros por hora e testando a viabilidade econômica. A expectativa é que essa tecnologia possa ser replicada em outras cidades com grande volume de coco descartado”, destaca Dariva.

Contribuição para a transição energética

A iniciativa do ITP é um exemplo prático de como resíduos orgânicos podem ser usados como insumos para biocombustíveis, tornando-se parte da solução frente à crise climática global e à necessidade de redução das emissões de gases de efeito estufa.

“O que fazemos é fechar o ciclo do carbono: a planta absorve CO₂ e, ao ser transformada em combustível, esse carbono retorna para a atmosfera em um ciclo equilibrado. É uma maneira limpa e inteligente de gerar energia”, resume o pesquisador.

A pesquisa representa um avanço importante para a inovação verde no Brasil, com potencial de tornar o coco um verdadeiro símbolo da energia sustentável brasileira.