ALTERNATIVA SUSTENTÁVEL

Sistema integrado eleva em 25% a produtividade de tambaqui e curimba sem ampliar custos

Modelo desenvolvido pela Embrapa aumenta a produção de peixes, rentabilidade e reduz impactos ambientais na piscicultura

sistema integrado; tambaqui
Foto: Pixabay

Uma pesquisa da Embrapa aponta que a criação integrada de tambaqui com curimba pode aumentar em 25% a produtividade da piscicultura, sem elevar os custos de produção.

O estudo mostra ainda ganhos econômicos e redução de impactos ambientais, reforçando a atividade como alternativa sustentável para a produção de proteína animal na Amazônia.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Adriana Lima, o principal diferencial do sistema integrado em relação ao modelo tradicional está na diversificação das espécies dentro do mesmo ambiente produtivo.

Atualmente, o tambaqui é cultivado em um sistema de monocultivo, o que significa que, dentro da estrutura de produção, há apenas peixes da espécie tambaqui.

A proposta é adotar cultivos integrados, com a inclusão de outras espécies no mesmo ambiente de produção, otimizando o uso do espaço e dos insumos necessários. Na prática, trata-se da inclusão de espécies dentro de um sistema produtivo.

Ganho produtivo e econômico

Os resultados da pesquisa indicam que, utilizando a mesma área, a mesma quantidade de ração, energia elétrica e infraestrutura, a inclusão da curimba no cultivo do tambaqui elevou a produção total de peixes.

“Conseguimos, integrando outra espécie, ou seja, incluindo o curimba, acrescentar em 25% a produtividade de peixes dentro do sistema. Então, tivemos 25% a mais de de produção de proteína animal, que é um resultado bem interessante”, explica Adriana Lima.

No aspecto econômico, o sistema integrado também apresentou desempenho positivo. A rentabilidade do produtor pode crescer entre R$ 8 mil por hectare ao ano, sem necessidade de investimentos adicionais em ração, energia ou estrutura, destaca a pesquisadora.

Redução de impactos ambientais

Segundo a Embrapa, o sistema contribui para a recuperação de nutrientes dentro do próprio tanque, reduz a liberação de poluentes no ambiente e melhora o uso da água.

Outro ponto relevante é a eficiência no uso da terra, com maior produtividade na mesma área, diminui-se a necessidade de expansão das áreas de cultivo. 

“Com um aumento de 25% na produtividade utilizando a mesma área, o sistema se torna mais eficiente no uso da terra. Além de produzir mais em um espaço menor, mantêm-se a mesma quantidade de ração utilizada quando havia uma produção só com tambaqui”, afirma Adriana Lima.

Sistema viável para produtores

Segundo Adriana Lima, o sistema já pode ser considerado viável e seguro para pequenos e médios produtores. Atualmente, a Embrapa trabalha no refinamento do modelo, ajustando densidades entre as espécies para que tambaqui e curimba atinjam o tamanho comercial ao mesmo tempo.

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