BIOCOMBUSTÍVEIS

Brasil acelera o passo para se manter na liderança mundial dos combustíveis renováveis

Encontro reuniu setor produtivo para debater preços, volatilidade internacional e os próximos passos do biodiesel e bioquerosene no Brasil

biodiesel
Foto: Freepik

O Brasil busca acelerar o passo para manter a liderança mundial na produção de combustíveis renováveis. O tema foi destaque no encerramento do 3º Fórum de Biodiesel e Bioquerosene, realizado em São Paulo, que reuniu lideranças do setor, representantes do governo e pesquisadores para discutir o futuro da energia limpa no país.

Durante o evento, especialistas analisaram o comportamento do mercado de oleaginosas e seus impactos diretos na formação de preços do biodiesel. A soja, principal matéria-prima do biocombustível brasileiro, esteve no centro das discussões diante da recente volatilidade internacional.

Segundo o repórter de preços e grãos da S&P Global Energy – Platts, o mercado global de soja tem sido influenciado por fatores como o desempenho do farelo e do óleo de soja, além de incertezas climáticas na safra norte-americana e movimentos geopolíticos envolvendo grandes potências. Esse cenário tem gerado instabilidade nos preços das commodities.

No mercado internacional de energia, também foram citados impactos recentes de conflitos globais, que afetaram o complexo de óleos vegetais e petróleo. Apesar disso, o Brasil apresentou menor repasse dessa volatilidade aos preços internos, sustentado por uma safra robusta e ampla oferta doméstica.

Outro ponto debatido foi o cenário de demanda e competitividade do biodiesel brasileiro frente a grandes players globais, como Estados Unidos e Indonésia. De acordo com a repórter de preços do biodiesel da S&P Global Energy – Platts Gabriela Brumatti o produto brasileiro ainda é majoritariamente consumido no mercado interno, com baixa participação em exportações.

“No caso brasileiro, como nós temos uma safra muito ampla e que vai atender a nossa demanda, o nosso preço interno não respondeu nessa mesma proporção. Tivemos aumento, mas não na mesma proporção. E com isso o biodiesel, tanto no spot quanto nos contratos, se reajustou, mas claro, não subindo tanto quanto o mercado internacional”, destaca

Expectativas

De acordo com Brumatti, havia expectativa de avanço para o B16 neste ano, mas o setor ainda aguarda maior previsibilidade regulatória. Atualmente, as projeções apontam manutenção do B15 ao longo do ano.

Além disso, o projeto “Combustível do Futuro” foi citado como uma das principais iniciativas para dar previsibilidade ao setor e ampliar o uso de biocombustíveis no país, incluindo biodiesel e etanol. Para representantes do mercado, a consolidação dessas políticas é vista como essencial para manter o protagonismo brasileiro no segmento.