AMBIENTE INÓSPITO

Tecnologia brasileira permite cultivo de alimentos no frio extremo da Antártica

Estufa desenvolvida no Brasil garante a produção de microverdes para pesquisadores mesmo com temperaturas que chegam a -60 °C.

Antártica
Foto: Pixabay

Pesquisadores brasileiros conseguiram produzir alimentos frescos em um dos ambientes mais extremos do planeta, a Antártica. A iniciativa inédita, conduzida pela Ambipar, pode transformar a rotina alimentar de cientistas que passam longos períodos no continente gelado.

Com sensação térmica que pode chegar a -60 °C, a Antártica não oferece nenhuma condição natural para o cultivo de alimentos. Mesmo assim, a equipe instalou uma estufa de alta tecnologia, desenvolvida no Brasil, capaz de produzir microverdes como mostarda, agrião, brócolis e rabanete.

A estrutura foi desenvolvida no Brasil e permite o controle preciso de temperatura, umidade e luminosidade, criando um ambiente totalmente isolado do exterior.

Segundo o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Ambipar, Gabriel Estevam, a estrutura é compacta, feita com chapas de alumínio e revestida com isolante térmico biodegradável à base de mamona, tecnologia nacional que não utiliza derivados de petróleo.

“Aqui eu tenho a caixa de comando. Sem ter que acessar lá, eu consigo controlar os parâmetros de temperatura, umidade, a luminosidade do luz ultravioleta” explica Estevam.

Além da tecnologia embarcada, o projeto precisou atender a regras ambientais rigorosas. Sem solo disponível e sem possibilidade de descarte de resíduos no continente, todo o substrato utilizado no cultivo foi produzido a partir do lixo gerado pela própria equipe, como borra de café, pó de chá, papel e caixas de ovos.

Segundo Estevam, o experimento demonstra o potencial de sistemas autossuficientes de produção de alimentos para missões de longa duração, não apenas na Antártica, mas também em outros ambientes controlados e isolados, ampliando as possibilidades de permanência de cientistas em ambientes que possuem condições extremas.

ERRATA: A Marinha do Brasil informa que, diferentemente do que foi noticiado anteriormente, o projeto de cultivo de hortaliças na região não está vinculado ao Programa Antártico Brasileiro (Proantar) ou com a estação Estação Antártica Comandante Ferraz.

Sair da versão mobile