FALHAS RECORRENTES

Queda de energia mata cerca de 24 mil aves em granja

Falha no fornecimento de energia teria sido provocada por galho na rede elétrica e reacende críticas do setor sobre quedas recorrentes no campo

Morte aves
Foto: reprodução/redes sociais

Cerca de 24 mil frangos morreram após uma nova queda de energia registrada durante a madrugada em um aviário no município de Capitão Leônidas Marques, no sudoeste do Paraná. O caso reacende a preocupação de produtores rurais com falhas recorrentes no fornecimento de eletricidade no campo.

De acordo com o técnico do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Faep, Luís Eliéser Ferreira, a interrupção no fornecimento foi provocada quando um galho de árvore encostou na rede elétrica da concessionária responsável pela distribuição de energia.

A oscilação teria danificado o painel responsável por acionar o gerador de emergência da propriedade, impedindo o funcionamento do sistema de ventilação e resultando na morte das aves.

Para Ferreira, episódios desse tipo têm sido frequentes no meio rural paranaense e afetam diretamente atividades que dependem de fornecimento contínuo de energia, como avicultura, suinocultura e produção de leite.

Ele explica que, embora a maioria das propriedades possua geradores, esses equipamentos são projetados para situações emergenciais e podem não suportar longos períodos de instabilidade ou oscilações na rede elétrica.

“Quase todos os produtores rurais possuem geradores. A primeira questão que pode ser levantada é: ‘Mas este produtor não tinha um gerador?’ Sim, ele tinha um gerador, mas as quedas frequentes, as oscilações no nível de tensão e a demora no religamento acionam esse gerador, mas ele não consegue muitas vezes atender essa demanda”, afirmou.

Causas

De acordo com Ferreira, a distribuidora costuma atribuir os episódios às condições climáticas e ao fato de a rede elétrica no interior do estado ser aérea.

“Mas se tivéssemos feito ali o manejo correto da vegetação, mantido esses galhos longe do transformador, longe da rede da Copel, da distribuidora responsável pelo fornecimento de energia elétrica a esse produtor, com certeza a gente teria mitigado esse problema”

A manutenção preventiva, mantendo galhos afastados de transformadores e cabos da rede da concessionária responsável pelo fornecimento de energia, ajudaria a reduzir os riscos e os impactos para os produtores rurais.

Prejuízos

Ferreira explica que, no aspecto econômico, o prejuízo geralmente recai diretamente sobre o produtor rural, já que, em muitos casos, as seguradoras classificam o problema como evento climático e não cobrem as perdas.

Há também o impacto ambiental, pois o produtor precisa realizar o descarte adequado das aves mortas, normalmente por meio do enterro na propriedade, o que exige espaço, trabalho e gera custos adicionais.

Segundo Ferreira, há um impacto emocional, afinal, os produtores convivem com constante apreensão diante das oscilações no fornecimento de energia.

“O produtor não dorme direito, ele está sempre aflito, está sempre preocupado com o que vai acontecer com as aves, preocupado com essa relação de energia que afeta o equipamento e que não liga o gerador”, destaca.

Outros casos

Casos semelhantes já foram registrados recentemente no estado. Em uma ocorrência na região oeste do Paraná, um produtor perdeu cerca de 900 mil tilápias após falhas no fornecimento de energia, com prejuízo estimado em mais de R$ 9 milhões.