
O agronegócio brasileiro segue atento às variações climáticas, que desempenham papel essencial para a produtividade do campo. Com o fenômeno La Niña perdendo força e uma possível transição para a neutralidade, a previsão do tempo para os próximos meses desperta o interesse dos produtores rurais de norte a sul do país. Em conversa com o especialista Arthur Muller, o programa Planeta Campo detalhou as expectativas climáticas para 2025 e seus impactos no setor agropecuário.
O fim de La Niña e o retorno à neutralidade
Arthur Muller, um dos maiores especialistas em climatologia do Brasil, explica que a La Niña, fenômeno climático caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, já está perdendo força. De acordo com o último boletim de fevereiro de 2025, a probabilidade de a La Niña continuar até março é de 95%. A partir de então, espera-se que as águas do Pacífico se estabilizem e o fenômeno entre em um período de neutralidade.
A neutralidade implica que não haverá influência predominante de fenômenos como La Niña ou El Niño. Isso cria um cenário onde o clima tende a ser mais previsível, sem a intensidade dos extremos climáticos que marcam a ocorrência desses fenômenos. Contudo, Muller alerta que, devido ao aquecimento global e o estado do Pacífico, é possível que a La Niña volte a se manifestar em algum momento de 2025.
Impactos do clima no Brasil: da seca na Amazônia às chuvas no Mato Piba
O fenômeno La Niña, embora em declínio, ainda tem efeitos visíveis no clima brasileiro. Um dos principais impactos é o agravamento da seca na Amazônia, que, segundo Arthur Muller, tende a persistir devido ao aquecimento das águas do Atlântico Tropical. Quando essa região está aquecida, tende a inibir as chuvas, exacerbando a estiagem.
Por outro lado, a previsão indica que o próximo mês será favorável para o crescimento das chuvas no Mato Piba, região que abrange partes da Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí. Esse aumento de precipitação trará alívio para a agricultura da região, que enfrentou o risco de estiagem nas últimas safras.
Muller ressalta que, apesar de os fenômenos climáticos serem cíclicos e imprevisíveis, a transição para a neutralidade e a expectativa de chuvas mais regulares em algumas regiões brasileiras podem ajudar a estabilizar o clima, evitando os efeitos extremos do verão e outono que marcaram o início de 2025.
O outono quente e a possibilidade de geadas tardias
Embora a transição para o outono e o inverno de 2025 seja marcada pela perda de intensidade da La Niña, o clima não deve se tornar completamente previsível. Uma das tendências observadas por Arthur Muller é o aumento das temperaturas em todo o Brasil, com um outono e inverno mais quentes do que a média histórica. No entanto, ele destaca que pulsos de frio intenso podem ocorrer, trazendo aquela típica oscilação climática: dias extremamente quentes seguidos de quedas abruptas de temperatura.
Por conta desse fenômeno, o produtor rural deve estar atento a possíveis geadas tardias, mas Muller acredita que o risco de geadas será menor em 2025, pois já estamos entrando no outono e a maior parte da agricultura já estará concluída. O alerta, no entanto, continua para os produtores que atuam no sul e sudeste do país, onde as variações de temperatura podem afetar culturas sensíveis ao frio.
A transição para El Niño: desafios e oportunidades
Outro ponto abordado por Arthur Muller foi a possibilidade de o fenômeno El Niño retornar no final de 2025. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial e tem grande impacto no clima global, especialmente no Brasil, onde costuma gerar secas em algumas regiões e chuvas excessivas em outras.
Embora não seja certo, Muller acredita que, ao final do ano, o El Niño pode se instalar, trazendo consigo um aumento da intensidade das chuvas no sul e sudeste do país e secas em outras áreas. O prognóstico para o Mato Piba, por exemplo, tende a ser positivo, com a continuidade das boas chuvas durante a próxima safra, mas o fenômeno ainda precisa ser monitorado de perto.
Preparando-se para os extremos climáticos
Embora os fenômenos climáticos como La Niña e El Niño sejam mais estudados e compreendidos, Arthur Muller enfatiza que o produtor rural precisa estar sempre atento às atualizações diárias sobre a previsão do tempo. Eventos climáticos extremos, como ondas de calor, tempestades, e geadas, podem impactar diretamente a produção agrícola, e a antecipação desses eventos pode ser crucial para garantir boas safras.
A presença do Canal Rural e o acompanhamento constante das previsões meteorológicas, conforme aponta Muller, são fundamentais para que o produtor consiga planejar suas atividades, ajustar o calendário agrícola e se prevenir contra perdas causadas por desastres naturais.
Em 2025, a chave será a adaptação às variações climáticas, com um olhar atento para os fenômenos que podem surgir e impactar a agricultura e a pecuária de norte a sul do Brasil. A neutralidade climática e as tendências do El Niño exigem um monitoramento constante para o bom planejamento do agronegócio brasileiro.