
Especialistas, autoridades e representantes da indústria se reuniram nesta terça-feira (23), em São Paulo, para discutir o futuro dos biocombustíveis no Brasil. Promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), o seminário teve como foco as perspectivas do setor diante dos desdobramentos da chamada Lei do Combustível do Futuro.
O encontro debateu temas como os desafios regulatórios, o uso do biodiesel em diferentes modais de transporte e os próximos passos da transição energética no país.
A avaliação do setor é que o Brasil possui vantagens competitivas importantes, tanto pela experiência acumulada quanto pela diversidade de matérias-primas disponíveis, o que pode ampliar o papel dos biocombustíveis na matriz energética nacional.
Segundo o diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove, Daniel Amaral, a nova legislação já definiu metas para a adição de biodiesel, diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF), mas ainda há pontos que precisam ser resolvidos para garantir a expansão do setor.
“No entanto, a questão do biodiesel requer a análise da viabilidade técnica. Portanto, essa é a questão principal que tem que ser resolvida. Nós temos uma questão de curtíssimo prazo, que é como resolver a necessidade, se eventualmente isso for aparecer, de um aumento para B16 ou mesmo B17. E também temos a questão da viabilidade técnica para misturas maiores, B20 e B25”, destaca.
Previsibilidade
Para o setor produtivo, a previsibilidade regulatória é considerada essencial para estimular novos investimentos. Isso porque a cadeia dos biocombustíveis exige planejamento de longo prazo, desde o plantio das matérias-primas até a estrutura industrial de processamento e distribuição.
“Nós não podemos cobrar que o empresário faça investimentos em plantio, em colheita, todo o maquinário, toda a parte das usinas, a distribuição, ou seja, toda uma cadeia produtiva que requer muito dinheiro, investimento e a confiança de que esse dinheiro depois vai ser retornado”, destacou Amaral.
“A questão da previsibilidade é essencial para que esse empresário ele tenha confiança de que existe um mercado que tá sendo trabalhado para a substituição dos fósseis pelos biocombustíveis”, completou Amaral.
Expectativa
Segundo a Amaral, o Brasil já conta com participação de combustíveis renováveis no diesel consumido e deve ampliar essa oferta nos próximos anos com a entrada em operação de novas biorrefinarias.
A expectativa é que, em um prazo de um a dois anos, novas plantas industriais estejam em funcionamento, colocando o Brasil entre os países produtores e consumidores de biocombustíveis avançados.
Mercado internacional
O setor também avalia que o cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas e oscilações nos preços do petróleo, reforça a importância estratégica dos biocombustíveis. Para os participantes do seminário, o avanço dessa matriz energética reduz a dependência de combustíveis fósseis e fortalece a segurança energética do país.
Entre as prioridades apontadas para acelerar esse processo estão a conclusão dos estudos técnicos sobre as misturas, o incentivo à produção de novas oleaginosas e a ampliação das parcerias entre governo, indústria de máquinas e usuários.