ZERO CARBONO

'Práticas sustentáveis aproximam agricultura da neutralidade de carbono', diz Roberta Carnevalli, da Embrapa

Especialistas destacam que ciência, inovação e certificação são fundamentais para tornar o agro brasileiro mais sustentável

Foto: Jhonnys Silva fotografia
Foto: Jhonnys Silva fotografia

O terceiro painel da programação do Fórum Planeta Campo, realizado nesta terça-feira (11) durante a COP30, foi intitulado “Agropecuária de Baixo Carbono (Case Roncador + Soja Baixo Carbono)”. O encontro teve como objetivo debater os avanços da agricultura sustentável e os caminhos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no campo.

Com foco na integração entre ciência, políticas públicas e práticas produtivas, o painel destacou o papel da inovação, do empreendedorismo rural e da colaboração entre os setores para construir uma agropecuária mais eficiente e de baixo carbono.

Resultados do esforço coletivo

A coordenadora do Observatório de Bioeconomia da FGV, Talita Pinto, abriu o painel ressaltando que os resultados alcançados hoje são fruto de décadas de esforço coletivo. “A história que estamos vivendo é resultado do que construímos nas últimas décadas. Temos ciência, implementação de políticas públicas, empreendedorismo e o esforço do produtor. Tudo isso permitiu que o setor alcançasse resultados grandiosos.”

Ela destacou a importância da pesquisa científica, especialmente no Cerrado. “A ciência tem ajudado a produzir no Cerrado, e a própria Embrapa desenvolve isso muito bem.” Talita lembrou que ainda existem desafios quanto à contabilização correta das emissões e reduções do setor agropecuário. “Esses avanços não constam nos nossos inventários nacionais. Do jeito que calculamos hoje, o agro só aparece como emissor.”

Soja Baixo Carbono

A chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Soja, Roberta Carnevalli, apresentou o trabalho da instituição no desenvolvimento da Soja Baixo Carbono. “A Embrapa tem desenvolvido uma série de protocolos, partindo da premissa de que não é possível calcular as emissões de uma única cultura isoladamente. O sequestro de carbono acontece durante o processo produtivo.”

Segundo Roberta, a análise de ciclo de vida permite mensurar as emissões e alocá-las entre diferentes culturas. “Cada setor pode utilizar esses resultados dentro da cadeia produtiva e, com isso, recompensar formalmente o produtor.” Ela destacou ainda que a certificação Soja Baixo Carbono busca reconhecer produtores que aplicam práticas sustentáveis. “O sonho é atingir emissão zero na agricultura. É importante considerar, além das emissões, o desmatamento e a mudança de uso da terra. Se houver alteração, ela precisa ser contabilizada.”

Compromisso da UPL com a sustentabilidade

O gerente de Programas Sustentáveis da UPL, Rogério Melo, reforçou o compromisso da empresa com a sustentabilidade no agronegócio. “A UPL tem o propósito de reimaginar a sustentabilidade nas cadeias agroalimentares. Estar aqui na COP é relevante porque temos todo um histórico de compromisso com a descarbonização.”

Ele explicou que a empresa busca integrar as dimensões social, ambiental e econômica da sustentabilidade. “Desenvolvemos ações que integram essas frentes para elevar o desempenho socioambiental e econômico da agricultura brasileira. Apoiamos o programa Soja Baixo Carbono e vamos realizar mil inventários de carbono e mil diagnósticos ambientais para mostrar, com dados e fatos, que da porteira pra dentro a agricultura brasileira é a mais eficiente e sustentável.”

Rogério destacou ainda que a sustentabilidade deve alcançar todos os perfis de produtores. “Queremos mostrar que a sustentabilidade vai até a pequena e micropropriedade. É com essa visão cooperativa e colaborativa entre ciência e setor produtivo que a UPL construiu seu compromisso com a descarbonização e a sustentabilidade.”

Case de sucesso na COP30: Grupo Roncador

O CEO do Grupo Roncador, Pelerson Penido Dalla Vecchia, compartilhou o caso de sucesso da empresa, que alia resultado econômico e sustentabilidade. “Nosso caminho foi integrar sustentabilidade e resultado. Foi isso que nos levou a esse modelo.”

Ele explicou que a adoção da integração lavoura-pecuária e do plantio direto transformou a performance ambiental e econômica do grupo. “Com o resultado econômico vindo, tínhamos a sombra do metano. Então buscamos responsabilidade climática e impacto geográfico. Eu pensava que ia precisar diminuir o gado. Nós temos cerca de 70 mil cabeças na Roncador, mas pesquisas feitas em 2014 já mostravam que o sistema era fixador de carbono.”

Desde então, a empresa ampliou o uso de tecnologias biológicas. “Implementamos práticas novas, como o uso de biológicos, esterco e manejo inteligente da soja. Utilizamos ao máximo insumos biológicos. O que medimos de carbono é muito menor do que realmente acontece no sistema.”

Segundo Pelerson, a gestão de dados e resultados é essencial para o avanço sustentável. “O produtor brasileiro toma decisão com base em números. Medimos tudo, fazemos o balanço e seguimos melhorando. Nosso objetivo é simples: melhorar o mundo.”

Portos do Paraná e descarbonização

Encerrando o painel, o diretor de Meio Ambiente dos Portos do Paraná, João Paulo Santana, apresentou ações do porto voltadas à descarbonização e ao impacto positivo nas comunidades locais. “Estamos fazendo um inventário de carbono que não considera apenas o território portuário, mas também os navios que chegam e partem e os caminhões que circulam.”

Santana destacou o caráter social e ambiental das iniciativas. “Formulamos um programa de descarbonização com toda a comunidade portuária, envolvendo todos os atores da cadeia logística, inclusive com a eletrificação dos cais para reduzir as emissões dos navios atracados.”

Segundo ele, o Porto de Paranaguá busca liderar boas práticas de gestão ambiental. “O mais importante que fizemos foi lançar uma portaria para atracação de navios verdes, aqueles que emitem menos gases de efeito estufa.”