QUE CLIMA É ESSE?

Entenda como os desastres climáticos afetam a inflação e o crescimento econômico

Estudo do Fundo Monetário Internacional aponta que secas, tempestades e variações de temperatura pressionam preços e reduzem crescimento

tempestade
Foto: Pixabay

Eventos climáticos extremos, como secas, tempestades e ondas de temperatura, têm impacto direto na inflação e no crescimento econômico global. A conclusão é de um estudo divulgado em 2023 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que analisou dados de 173 países entre 1970 e 2020.

Segundo o levantamento, choques climáticos influenciam simultaneamente o Produto Interno Bruto (PIB) e os preços. De forma geral, secas e tempestades tendem a elevar a inflação e reduzir o crescimento, tanto em economias desenvolvidas quanto em países em desenvolvimento.

Como a produção agrícola depende diretamente do clima, perdas de safra e dificuldades logísticas pressionam os preços, sobretudo dos alimentos. A seca aparece como um dos fatores mais relevantes, afetando desde o cultivo até o transporte de commodities.

O estudo indica que os impactos são mais intensos em países em desenvolvimento, onde o agro costuma ter peso maior na economia e a capacidade de resposta a eventos extremos é mais limitada. Já nas economias avançadas, a recuperação costuma ser mais rápida devido à maior disponibilidade de recursos.

Segundo Arthur Müller, quando o impacto do evento aparece acima da linha de referência (linha pontilhada), a inflação tende a subir e o PIB diminui; quando fica abaixo, ocorre o movimento inverso, com redução da inflação e aumento do PIB. “Então quando se tem um choque de temperatura, a tendência é uma inflação menor”, explica.

Países ricos e países em desenvolvimento

De acordo com Müller, a análise conjunta de países ricos e em desenvolvimento, o choque de temperatura apresentou, em média, tendência de inflação menor, possivelmente associada à redução da demanda por alguns serviços. Já eventos como seca e tempestades mostram efeito mais claro e imediato, com aumento da inflação e queda do PIB.

Os resultados indicam que esses impactos são consistentes em diferentes níveis de renda, mas mais intensos em economias em desenvolvimento, onde o agronegócio costuma ter maior peso e é mais exposto às variações do clima. Como a produção ocorre a céu aberto, perdas de safra e problemas logísticos ampliam os impactos econômicos

Em países ricos, ondas de calor ou frio tendem a aumentar a inflação por elevar o consumo de energia, enquanto em nações em desenvolvimento o efeito pode ser mais moderado, em parte pela menor demanda por climatização.

Inflação climática

O relatório reforça que eventos climáticos severos provocam uma espécie de “inflação climática”, com impacto direto no custo dos alimentos e em diversos setores da economia. Diante desse cenário, especialistas destacam a importância de políticas públicas voltadas à proteção do agronegócio e à adaptação às mudanças climáticas.

Exemplos recentes de eventos extremos, como fortes tempestades de neve nos Estados Unidos que levaram ao cancelamento de milhares de voos e prejuízos logísticos, ilustram como o clima pode gerar efeitos econômicos imediatos. A tendência, segundo o estudo, é de que esses impactos se tornem mais frequentes com o avanço das mudanças climáticas.

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