
O ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, Roberto Rodrigues, liderou a elaboração de um documento que propõe diretrizes para a atuação do agronegócio brasileiro na COP30.
O material foi produzido em parceria com o Instituto Pensar Agro (IPA) e mais de 50 entidades representativas do setor, reunindo propostas e reflexões sobre o papel da agricultura tropical sustentável frente aos desafios climáticos globais.
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Segundo Rodrigues, o objetivo foi organizar e harmonizar as contribuições de diferentes segmentos do agro para construir uma narrativa única.
“Cada entidade enviou suas ideias sobre como a agricultura pode contribuir para o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar. Unimos tudo isso em um texto que mostra a força da tecnologia tropical e o papel do Brasil como modelo para o mundo”, explicou nesta quara-feira (12), durante a primeira edição do Diário da Cop, transmitido pelo YouTube do Canal Rural.
O documento entregue ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, está dividido em duas partes. A primeira narra a trajetória do agro brasileiro nos últimos 50 anos, destacando como a ciência e a inovação transformaram o país de importador em um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. A segunda reúne propostas e diretrizes para consolidar o Brasil como referência global em agricultura tropical sustentável.
A pesquisadora Adriana Brondani, responsável por coordenar a redação final do material, ressaltou que o trabalho buscou valorizar a história e a diversidade da produção nacional.
“Mais do que apresentar propostas, quisemos contar a jornada do agro. O documento mostra marcos de cada setor e evidencia como a agricultura brasileira se adaptou e inovou para produzir mais e melhor”, afirmou.
Brondani destacou ainda que o texto foi construído com uma linguagem acessível, capaz de aproximar o público urbano do campo.
“Queremos que quem não vive o agro consiga entender a importância do que fazemos e se identifique com essa trajetória”, disse.
Entre os principais pontos abordados estão o papel das cooperativas na difusão de tecnologia e inclusão social, a intensificação sustentável dos sistemas produtivos e o efeito “poupa-terra”, conceito que mostra como o aumento de produtividade reduziu a necessidade de expansão de área cultivada.
Para Rodrigues, a experiência brasileira é fundamental para outros países do cinturão tropical.
“A agricultura tropical é a saída para o desenvolvimento sustentável no mundo. Temos solo, tecnologia e condições de compartilhar esse modelo com outras nações da América Latina, África e Ásia”, afirmou.
O documento também relaciona a agricultura a três pilares estratégicos: segurança alimentar, transição energética e inclusão social.
“Alimento é paz. Sem segurança alimentar não há estabilidade política. E o Brasil tem uma matriz energética renovável e uma agricultura inclusiva, capaz de gerar emprego e renda”, destacou o ex-ministro.
O material, segundo Rodrigues e Brondani, vai além da COP30. A proposta é que sirva de base para a cooperação internacional e para o reconhecimento do agro brasileiro como protagonista nas soluções climáticas globais.