USO DA TERRA

Brasil pode ampliar área de cultivo em 20 mi de hectares até 2035, indica estudo

A estimativa faz parte do relatório "Sustentabilidade do agronegócio e uma agenda estratégica", elaborado por pesquisadores da Harven Agro Business School

Soja; agricultura
Foto: Pixabay

O Brasil ainda tem espaço para ampliar a produção agropecuária sem avançar sobre novas áreas de vegetação. Um estudo recente indica que a área destinada ao cultivo pode crescer cerca de 20 milhões de hectares até 2035, mantendo os atuais 242 milhões de hectares usados pelo agro.

A estimativa faz parte do relatório “Sustentabilidade do agronegócio e uma agenda estratégica”, elaborado por pesquisadores da Harven Agro Business School, entre eles o professor na Harven Agro Business School e especialista em comunicação estratégica do agro, Vinícius Cambaúva.

Segundo o estudo, o país possui aproximadamente 850 milhões de hectares de área total. Desse total, cerca de 31% são utilizados pela agropecuária, incluindo lavouras e pastagens.

Dentro dessa parcela, as lavouras ocupam entre 11% e 12% do território nacional, enquanto aproximadamente 20% correspondem a áreas de pastagem, utilizadas principalmente pela pecuária de corte.

“O Brasil é um dos maiores exportadores, fornecedores de alimentos do mundo, que utiliza 30% da sua área apenas para uso agropecuário”, explica Cambaúva.

Segundo Cambaúva, deste total, quase 30% está dentro de imóveis rurais, onde os produtores mantêm áreas de vegetação nativa conforme determina o Código Florestal. Dessa forma, o produtor contribui diretamente para a manutenção da cobertura vegetal e para a sustentabilidade ambiental do país.

Transição energética

O estudo também destaca o papel do agronegócio na transição energética global. O Brasil já possui vantagem em relação a outros países quando se observa a participação de fontes renováveis.

“Enquanto o mundo usa 18% da sua matriz para energias renováveis, o Brasil já é 50%. Quando a gente olha para a energia elétrica mesmo, para a eletricidade, o mundo tem 30% de energias renováveis, enquanto o Brasil tá próximo de 90%”, destaca Cambaúva.

De acordo com Cambaúva, boa parte desse potencial está ligada diretamente ao agro, com destaque para os biocombustíveis. Entre as principais fontes estão o etanol de cana-de-açúcar, o etanol de milho, o biodiesel de soja, além do biogás e do biometano, produzidos a partir de resíduos agropecuários.

Para o especialista, outras oportunidades também começam a ganhar espaço, como o desenvolvimento de combustível sustentável de aviação e o uso de hidrogênio verde, que podem ampliar ainda mais a participação do agronegócio na produção de energia limpa.

Segundo Cambaúva, o avanço dessas tecnologias reforça o potencial do Brasil de aumentar a produção de alimentos, fibras e energia de forma sustentável, aproveitando melhor as áreas já utilizadas pela agropecuária.

“Uma maior eficiência no campo com o uso desses coprodutos para a produção desses biocombustíveis ou bioenergias, e contribuindo com essa mudança na matriz energética do país”, conclui.