
Iniciativa cria selo que reconhece produtores com menor pegada de carbono e aposta em práticas sustentáveis para aumentar eficiência e competitividade da soja brasileira
A sustentabilidade vem ganhando espaço como fator estratégico na produção agrícola e, na cadeia da soja, uma das principais apostas é o programa Soja Baixo Carbono, desenvolvido pela Embrapa Soja.
A iniciativa reconhece produtores que adotam boas práticas agrícolas e conseguem reduzir a intensidade de emissões de gases de efeito estufa durante o processo produtivo.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, Henrique Debiasi o programa já está em desenvolvimento há cerca de quatro anos e estabelece um protocolo técnico para medir a pegada de carbono da produção de soja. A metodologia considera todas as etapas do sistema produtivo convertendo esses impactos em CO2 equivalente.
“O que quantifica essa redução no soja baixo carbono é exatamente a diferença entre a intensidade de emissão no candidato e a intensidade de emissão no sistema modal da região. Então é isso que expressa o selo soja baixo carbono” destaca Debiasi.
Segundo Debiasi, a proposta não é apenas ambiental, mas também econômica. A adoção de sistemas mais eficientes e integrados permite reduzir custos, aumentar produtividade e melhorar a rentabilidade ao longo do tempo.
Práticas recomendadas
Entre as práticas recomendadas estão o plantio direto na palha, rotação de culturas e o uso de mix de espécies no período de inverno. Essas estratégias contribuem para aumentar a diversidade vegetal, melhorar o perfil do solo e fortalecer o sistema radicular das plantas, o que reduz a vulnerabilidade a estresses climáticos como veranicos.
O programa também prevê a quantificação dos estoques de carbono no solo, permitindo medir quanto CO2 por hectare está sendo retirado da atmosfera em cada sistema produtivo. O resultado final pode indicar reduções de 10%, 20% ou até 30% na pegada de carbono em comparação com sistemas convencionais da região.
Além do componente técnico, o Soja Baixo Carbono conta com uma forte estrutura de parceria público-privada. O projeto reúne empresas do setor de insumos, tradings, cooperativas e obtentores de cultivares, que contribuem tanto com financiamento quanto com conhecimento de mercado.
Expectativa
A expectativa é que a certificação também gere ganhos econômicos ao produtor, especialmente em um cenário em que grandes compradores de soja têm metas de redução de emissões dentro das políticas ESG, principalmente no chamado escopo 3, que envolve a cadeia de fornecimento.
Na prática, isso pode abrir espaço para remuneração diferenciada, seja por meio de preços mais altos, redução de taxas de juros ou programas especiais de insumos.
Produtores que já adotam práticas sustentáveis destacam ganhos de eficiência e redução de custos como principais benefícios. A visão predominante entre especialistas é que o futuro da agricultura passa por sistemas regenerativos e de baixo carbono, com gestão integrada da propriedade e maior rastreabilidade da produção.
O programa reforça a tendência de uma agricultura baseada em eficiência, sustentabilidade e uso inteligente de tecnologias, em um cenário em que a gestão do solo e a redução de impactos ambientais se tornam tão importantes quanto a produtividade.