
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) reforçou sua contribuição para a segurança alimentar global ao enviar uma nova remessa de sementes para o Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega. A entrega foi realizada nesta semana pela presidente da instituição, Silvia Massruhá, e inclui 24 novos acessos de espécies agrícolas brasileiras.
A remessa é composta por sementes de caju (2 acessos), fava (7), amendoim (4), mamona (3) e gergelim (8). Com o novo envio, o Brasil passa a contar com 8.149 acessos armazenados no chamado “cofre do fim do mundo”, considerado a maior reserva de segurança agrícola do planeta.
Localizado na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, no Ártico norueguês, o banco tem como missão preservar a biodiversidade agrícola mundial diante de ameaças como mudanças climáticas, guerras, desastres naturais e surtos de pragas. Atualmente, o local conserva cerca de 1,38 milhão de amostras de sementes de mais de 5 mil espécies, provenientes de 223 países e territórios.
Durante a visita, Silvia Massruhá se reuniu com o governador de Svalbard, Lars Fause, e foi recebida no banco pelo coordenador Åsmund Asdal. Ela esteve acompanhada do coordenador do Labex Europa, Elcio Guimarães, que dará continuidade às parcerias institucionais e atividades de cooperação científica com entidades europeias.
Segundo a presidente da Embrapa, a presença brasileira no banco global representa um compromisso com o futuro da agricultura e da alimentação.
“Essa iniciativa representa uma salvaguarda da biodiversidade agrícola mundial e reforça o compromisso da ciência brasileira com a segurança alimentar, a preservação dos recursos genéticos e a capacidade de responder aos desafios impostos pelas mudanças climáticas”, destacou.
A Embrapa representa o Brasil no banco de Svalbard desde 2012. De acordo com o pesquisador Juliano Pádua, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, a maior parte dos materiais brasileiros armazenados é composta por sementes de arroz (4.850 acessos), milho (739) e feijão (514), culturas consideradas estratégicas para a segurança alimentar.
Além desses grãos, o acervo brasileiro inclui forrageiras, frutíferas, hortaliças, espécies florestais, soja e trigo. Segundo o pesquisador, a forte presença de arroz, feijão e milho atende às recomendações do banco global, que prioriza culturas essenciais para a alimentação humana e a agricultura sustentável.
As sementes entregues nesta nova remessa foram desenvolvidas por diferentes unidades da Embrapa. Os materiais de caju vieram da Embrapa Agroindústria Tropical; os de fava, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia; e os de amendoim, mamona e gergelim, da Embrapa Algodão.
Brasil abriga uma das maiores reservas genéticas do mundo
Além de participar do banco global na Noruega, a Embrapa mantém em Brasília (DF) o maior banco de sementes da América Latina e um dos maiores do mundo. Instalado na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o local reúne quase 126 mil amostras de 1.213 espécies vegetais.
As sementes são armazenadas a -18 ºC, em condições semelhantes às do depósito de Svalbard, o que permite sua conservação por décadas ou até séculos.
Atualmente, a estrutura brasileira possui capacidade para guardar até 600 mil amostras em quatro câmaras frias. A área já conta com espaço para a instalação de mais duas câmaras, o que poderá ampliar a capacidade total para 900 mil amostras.
A combinação entre o banco genético brasileiro e a participação no repositório global da Noruega fortalece a estratégia de preservação da biodiversidade agrícola e garante uma camada adicional de proteção para recursos genéticos essenciais à produção de alimentos no futuro.