EFICIÊNCIA ALIMENTAR

Produção de cordeiros pode gerar créditos de carbono e reduzir emissões

Projeto no Ceará mostra que dietas de alto concentrado e bioaditivos podem reduzir em mais de 50% as emissões de gases de efeito estufa na ovinocultura

Produção de cordeiros no Ceará; imagem mostra cordeiro
Foto: Reprodução/Canal Rural

Um projeto desenvolvido pela Embrapa em parceria com produtores do Ceará tem mostrado que é possível reduzir em mais de 50% as emissões de gases de efeito estufa na produção de cordeiros por meio de ajustes na alimentação dos animais.

A iniciativa é conduzida em uma propriedade de Guaiúba (CE) e tem como foco a fase de terminação, período que antecede o abate. O trabalho começou no fim de 2022 e avalia diferentes estratégias nutricionais para melhorar o desempenho dos animais, aumentar o rendimento de carcaça e reduzir o impacto ambiental da atividade.

Segundo os pesquisadores, o principal avanço está no uso de dietas de alto concentrado, formuladas para elevar a eficiência alimentar dos cordeiros. Estudos realizados pela Embrapa Semiárido indicaram que esse modelo pode reduzir em até 37% as emissões de metano.

Além disso, a inclusão de bioaditivos extraídos de plantas da Caatinga permitiu uma redução adicional de cerca de 19%. Somados, os resultados ultrapassam 50% de mitigação das emissões.

Eficiência e sustentabilidade caminham juntas

De acordo com os pesquisadores, a redução dos gases está diretamente ligada ao melhor aproveitamento dos nutrientes pelos animais.

A avaliação inclui indicadores como ganho de peso, consumo alimentar, rendimento de carcaça, custo de produção e até análises sensoriais da carne, fator considerado essencial para a aceitação do produto pelos consumidores.

Para os produtores envolvidos, a parceria com a pesquisa tem ajudado a aprimorar o sistema de confinamento e aumentar a rentabilidade da atividade.

Mercado de cordeiro cresce no Brasil

Embora o consumo de carne ovina ainda seja considerado baixo no país, o mercado tem mostrado potencial de expansão. Dados da Embrapa apontam que cada brasileiro consome, em média, cerca de 700 gramas de carne ovina por ano.

A maior demanda está concentrada nas regiões Sul e Nordeste, mas a presença crescente da carne de cordeiro em restaurantes e estabelecimentos do food service tem ampliado a visibilidade do produto.

Segundo os produtores participantes do projeto, a valorização da carne está relacionada à oferta de animais mais jovens, alimentados com dietas balanceadas e capazes de gerar cortes considerados nobres pelo mercado.

Potencial para créditos de carbono

Além dos ganhos produtivos, os pesquisadores enxergam oportunidades futuras ligadas ao mercado de carbono.

As avaliações realizadas até o momento indicam que sistemas mais eficientes podem não apenas reduzir emissões, mas também contribuir para a geração de créditos de carbono, criando uma nova fonte de receita para os produtores.

O projeto está atualmente na fase de validação em escala maior dentro da propriedade parceira. A próxima etapa será levar a tecnologia para outros produtores da região, com o objetivo de confirmar os resultados econômicos, ambientais e produtivos em diferentes sistemas de criação.

A expectativa da Embrapa é que a iniciativa contribua para profissionalizar ainda mais a ovinocultura brasileira, fortalecendo uma atividade que vem conquistando espaço na pecuária nacional.