
Um estudo que será apresentado durante as conferências climáticas deste ano indica que o agronegócio brasileiro pode assumir papel estratégico na expansão das florestas e na valorização dos serviços ambientais no país.
O levantamento destaca oportunidades ligadas à conservação, restauração ambiental e geração de renda para produtores rurais.
A relação entre produção agropecuária e preservação ambiental tende a ganhar ainda mais relevância diante dos desafios climáticos e da crescente valorização dos chamados serviços ecossistêmicos.
De acordo com o presidente do conselho do Instituto Arapyaú, Roberto Waak as florestas exercem função essencial para garantir condições favoráveis à produção agropecuária.
“O produtor rural sabe da importância da água, da importância do clima e as florestas são essenciais para que esse serviço, que a gente chama de serviços ecossistêmicos”, afirmou Waak.
Entre os pontos destacados está o fato de que parte significativa das áreas preservadas no Brasil está dentro de propriedades rurais. Segundo Waak, o setor agropecuário concentra uma parcela importante do capital natural do país, conjunto de recursos que inclui florestas, água e biodiversidade.
“O agronegócio detém mais ou menos 40% da área de florestas do Brasil. Não existe nenhum país do mundo em que o agronegócio seja detentor do que a gente chama de capital natural”, pontuou.
Restauração florestal
Além da conservação, áreas degradadas ou com baixa aptidão agrícola aparecem como oportunidade para restauração florestal com potencial econômico. A recuperação dessas áreas já desperta interesse de investidores e pode abrir novas possibilidades de uso da terra. Entre os mercados em expansão estão iniciativas ligadas ao crédito de carbono e à bioeconomia.
Para Waak, a remuneração por serviços ambientais tende a avançar para além das emissões de carbono, incorporando futuramente outros ativos naturais, como recursos hídricos e biodiversidade. Outro ponto ressaltado é o papel das florestas na manutenção das chuvas e no equilíbrio climático.