
Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo domingo (8), a trajetória da pesquisadora da Embrapa Soja, Mariangela Hungria, ganha destaque.
Com mais de quatro décadas dedicadas à ciência, ela foi reconhecida no ano passado com o chamado “Nobel da Agricultura”, tornando-se a primeira brasileira a receber a premiação e uma das poucas mulheres no mundo a conquistar o título.
Vocação científica desde a infância
Mariangela conta que a curiosidade científica surgiu ainda na infância, incentivada pela avó, professora de ciências, teve contato precoce com livros e experiências científicas. Aos 8 anos, ao conhecer a história de microbiologistas decidiu que queria ser cientista.
O desejo de contribuir para reduzir a fome também influenciou sua escolha profissional. A agronomia surgiu como caminho natural para atuar na produção de alimentos, sempre com foco no uso de biológicos – área que, segundo ela, enfrentava resistência no início da carreira.
“Todo mundo falava que eu não ia ter nenhum futuro, que eu devia mudar, que essa coisa de biológico não servia para nada, que era um cosmético da agricultura, mas eu tinha certeza que esse era o caminho”, destaca Mariangela Hungria.
Pesquisa e reconhecimento
A decisão de seguir na área foi consolidada no fim da graduação, quando iniciou estudos sobre fixação biológica do nitrogênio. O tema se tornaria a base de uma trajetória marcada por perseverança, persistência e resiliência – características que ela atribui à conquista do prêmio.
A premiação internacional reconhece não apenas a pesquisa científica, mas também o impacto direto na produção agrícola e na segurança alimentar. Tecnologias baseadas em microrganismos permitem maior eficiência no uso de nutrientes, redução de custos ao produtor e menor impacto ambiental.
Valorização da ciência
A pesquisadora defende que inovação, investimento em pesquisa e valorização da ciência são pilares para garantir produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar.
Ao se tornar a primeira brasileira a receber o Nobel da Agricultura, Mariangela Hungria reforça não apenas a força da pesquisa agropecuária nacional, mas também o protagonismo feminino na ciência e no agro. Para a pesquisadora, durante foram anos de muita perseverança, persistência e resiliência.
“Eu nunca desviei daquilo que eu acreditava, começando numa época que ninguém acreditava que biológicos poderiam ter um futuro na agricultura”, conclui.