RETOMADA

Estudos avançam para reativação da hidrovia do rio São Francisco

A hidrovia é considerada um eixo estratégico para o escoamento de cargas e a integração logística entre regiões do país

hidrovia rio São Francisco
Foto: Cleferson Comarela /Divulgação

Começaram os estudos técnicos para a retomada da hidrovia do rio São Francisco, considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola e a integração logística entre regiões do país.

O projeto prevê a criação de um corredor navegável com mais de 1.300 quilômetros de extensão, além da construção de 17 portos para embarque e desembarque de cargas.

A proposta em análise contempla uma hidrovia com 1.371 km, abrangendo cerca de 505 municípios e com potencial para movimentar até 5 milhões de toneladas já no primeiro ano de operação. As estruturas portuárias devem atender principalmente os estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas, com transporte de cargas e também de passageiros.

De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, está prevista a construção de 17 instalações portuárias públicas de pequeno porte que garantirão o transporte de cargas e passageiros nos estados da Bahia, de Pernambuco e de Alagoas.

A hidrovia é considerada um eixo estratégico para o escoamento de cargas e a integração logística entre regiões do país.

“O ministro dos Portos e Aeroportos nos deu essa autorização já para iniciar os estudos. Começaram já no ano passado e estão em andamento. Então são estudos de batimetria e sondagens para verificar quais são as necessidades reais de dragagem”, afirma o presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), Antonio Gobbo.

“São estudos socioambientais para verificar a necessidade de recuperação ambiental, de estímulo à atividade produtiva, que afinal de contas isso também faz parte da gestão socioambiental”, destaca. Os estudos são conduzidos pela Infra S.A. em parceria com a Codeba.

De acordo com Gobbo, como parte das ações iniciais, uma antiga frota de embarcações foi deslocada de Pirapora (MG) até Juazeiro (BA), percorrendo todo o trecho previsto da hidrovia com apoio da Marinha do Brasil. O trajeto foi concluído com sucesso, comprovando a navegabilidade ao longo dos 1.370 km. “Ficou comprovado que os 1370 km entre Pirapora e Juazeiro já são navegáveis”, destaca.

A expectativa é que a hidrovia opere independentemente do regime hídrico, o que exigirá intervenções de dragagem em alguns pontos. A fase inicial deve conectar trechos rodoviários a partir de cidades como Botirama e Juazeiro até o Porto de Aratu, ampliando a integração entre modais.

Viabilidade

A principal vantagem do projeto está na redução dos custos logísticos. O transporte hidroviário pode representar apenas uma fração do custo do transporte rodoviário, especialmente pelo grande volume de cargas movimentadas por barcaças. Apesar disso, ainda há custos associados ao transbordo entre diferentes modais.

Além de escoar grãos do oeste baiano, a hidrovia deve facilitar a entrada de insumos, como fertilizantes vindos do Porto de Aratu, e a circulação de produtos industrializados do polo Juazeiro-Petrolina.

A projeção mais conservadora indica que as primeiras operações da hidrovia possam ser retomadas ainda em 2026, marcando um novo capítulo para a logística e o desenvolvimento econômico da região.

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