PLANO CLIMA

Meta climática do Brasil depende de queda no desmatamento

Plano até 2035 prevê emissões quase estáveis no agro, com avanço da produção sem abertura de novas áreas

Plano Clima; floresta
Foto: Pixabay

Para cumprir a nova meta climática apresentada durante a COP30, em Belém, no Pará, o Brasil terá de promover um corte expressivo no desmatamento nos próximos anos.

A medida é considerada essencial para que o país alcance o limite de emissões de gases de efeito estufa estabelecido para 2035.

O Plano Clima permite que as emissões do agronegócio permaneçam praticamente estáveis na próxima década. A meta nacional prevê emissões entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de gás carbônico até 2035.

Dentro desse cenário, o setor agropecuário poderá ampliar as emissões em até 2% nos próximos anos. No entanto, um estudo do governo aponta que a previsão é de aumento de apenas 1% na poluição da agricultura e da pecuária até 2030, o que indica desempenho melhor do que o limite estabelecido.

De acordo com o secretário nacional de mudança do clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloísio Melo, as mudanças não irão prejudicar o crescimento da economia com uma estimativa de aumento de 2,6% ao ano. 

Para o especialista em direito ambiental e mudança do clima, Werner Grau, o agronegócio como um todo é demonizado pelo seu crescimento e pelo ganho de capacidade produtiva. “Se fala em desmatamento como um todo no Brasil, como se ele fosse todo do agro. Nós temos que separar”, destaca.

Segundo Werner, é importante separar o que é desmatamento ilegal dentro do agro e o que é desmatamento em terras públicas e territórios coletivos.

Importância do Plano Clima

De acordo com o especialista, o Plano Clima abre espaço para o agronegócio demonstrar práticas sustentáveis, como sistemas agroflorestais, recuperação de áreas degradadas e conservação além das exigências do Código Florestal.

“Nós temos que mostrar que o agro é sustentável. O plano clima abre uma porta para isso e nós vamos poder, inclusive contestar outros países que tentam nos impor regras que são barreiras tarifárias”, destaca

A avaliação é que o combate ao desmatamento ilegal será decisivo para o cumprimento das metas, ao mesmo tempo em que o setor busca ampliar a produção com uso mais eficiente das áreas já abertas.