
O selo ambiental da lavoura de arroz irrigado, promovido pelo Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), tem impulsionado de forma significativa a adoção de práticas ambientalmente responsáveis no Rio Grande do Sul. Entre a safra 2024/25 e o ciclo 2025/26, a área certificada saltou de 77,9 mil hectares para 126 mil hectares, um crescimento superior a 62%.
Segundo o coordenador do selo ambiental do Irga, Rafael Santos, o programa não é recente, mas ganhou novo fôlego com incentivos institucionais. Criado na safra 2008/09, o selo chegou à 18ª edição e passou a atrair mais produtores após ser reconhecido, em 2024, como programa de boas práticas agrícolas pelo Ministério da Agricultura.
Outro fator decisivo foi o incentivo do governo estadual em 2025, que passou a oferecer pagamento por serviços ambientais e condições diferenciadas de crédito rural para produtores certificados nas modalidades ouro e prata. “Esses benefícios foram fundamentais para aumentar a adesão ao selo ambiental”, afirma Santos.
Importância do selo
De acordo com Santos, atualmente, mais de 200 produtores participam do programa. Entre os benefícios práticos, estão maior segurança jurídica ambiental, melhorias na estrutura das propriedades e valorização comercial da produção.
Produtores de sementes, por exemplo, utilizam o selo ambiental do Irga nos rótulos como forma de agregar credibilidade e evidenciar o uso de boas práticas agrícolas.
O programa também atua diretamente no manejo das lavouras, com orientação técnica sobre irrigação, controle de plantas daninhas e uso eficiente de insumos. Esse acompanhamento contribui tanto para a sustentabilidade ambiental quanto para o retorno econômico ao produtor.
Próximos passos
De acordo com Santos, o Irga pretende ampliar a digitalização e a automatização do processo de certificação, o que deve permitir a entrada de mais propriedades sem comprometer a qualidade técnica do programa.
Segundo o coordenador, outro desafio é aumentar a percepção do consumidor final sobre o arroz certificado, fortalecendo a identificação do produto sustentável no mercado. “Quanto mais o produtor usar de forma eficiente esses insumos, mais ecoeficiente ele estará sendo”, afirma Santos.
Além disso, Santos lembra que o manejo conservacionista do solo é um dos diferenciais do arroz irrigado, onde cerca de 70% da área cultivada no estado adota sistemas como o cultivo mínimo, impulsionado pela rotação com a soja.