
O programa Soja Legal, iniciativa da Aprosoja Mato Grosso, entrou em uma nova fase em 2025 com reformulação técnica que amplia a transparência e o reconhecimento das boas práticas adotadas nas propriedades rurais do estado.
A principal mudança é a criação de um sistema de categorização em níveis, bronze, prata e ouro, que atestam o cumprimento de normas ambientais, trabalhistas e sociais.
Na prática, o Soja Legal funciona como um selo de certificação da sustentabilidade da soja produzida em Mato Grosso. O programa avalia desde a preservação ambiental até aspectos como o correto descarte de embalagens de defensivos agrícolas, condições de trabalho e adoção de boas práticas no campo
De acordo com o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Luis Costa Beber, o selo já é reconhecido por instituições nacionais e começa a ganhar espaço no mercado internacional.
“O Ministério da Agricultura tem um convênio firmado conosco, inclusive com reconhecimento dessas práticas sustentáveis, o que possibilita um desconto de 0,5% em recursos controlados pelo Banco Central”, destaca.
“E é claro, nós sabemos que a narrativa internacional em relação ao Brasil é muito forte, o protecionismo econômico dos nossos concorrentes e esse selo vem justamente para provar o contrário
Segundo Beber, a certificação tem papel estratégico diante das pressões e da narrativa internacional sobre a produção agropecuária brasileira. “O selo vem justamente para provar o contrário do que muitas vezes é divulgado lá fora, mostrando que o produtor de Mato Grosso cumpre a legislação e adota práticas sustentáveis”, destacou.
Nova categorização
De acordo com Beber, a nova categorização permite atender exigências específicas de diferentes mercados. Antes, o programa não diferenciava níveis de conformidade. Agora, propriedades que atendem critérios adicionais podem alcançar os selos prata ou ouro, demonstrando maior alinhamento às demandas internacionais.
“O objetivo sempre não é excluir, até porque o produtor já tem boas práticas, o produtor segue a legislação, porém tem algumas conformidades também com o mercado internacional. Estando de acordo com essas conformidades, sobe a categorização para demonstrar que o produtor brasileiro já está atendendo essas exigências”, explica.
Orientações para aumentar o nível
O presidente explica que, na primeira visita técnica, são feitos apontamentos e orientações para melhorias, como sinalização de áreas de reserva e adequação de procedimentos de segurança. À medida que o produtor evolui, pode avançar nos níveis de certificação.
“É um processo de melhoria constante. O produtor se desafia a evoluir e fica preparado para receber compradores ou auditorias”, destacou Beber.
Como participar
Para participar do Soja Legal, o produtor deve entrar em contato pelos canais da Aprosoja Mato Grosso ou pelas redes sociais da entidade. Um supervisor de campo realiza a visita técnica à propriedade. Produtores de soja, milho ou das duas culturas podem aderir ao programa, inclusive aqueles que ainda não são associados, mediante filiação à entidade.