
A possibilidade de retorno do El Niño a partir de meados deste ano acende um alerta para mudanças significativas no clima global e, especialmente, no Brasil.
Segundo análise baseada em dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno pode evoluir de intensidade moderada a forte nos próximos meses, com risco de atingir níveis considerados “super El Niño” no fim do ano.
O El Niño e a La Niña são fases opostas dO El Niño-Oscilação Sul (ENSO), um dos principais sistemas climáticos do planeta, responsável por alterar padrões de temperatura e precipitação em diversas regiões do mundo.
Atualmente, o sistema está em fase de neutralidade, após um período recente de La Niña, mas já apresenta sinais de aquecimento acelerado das águas do Pacífico Equatorial.
Na prática, isso indica que o El Niño deve se estabelecer entre o fim de maio e junho, passando a influenciar o clima na América do Sul ao longo do inverno e da primavera.
De acordo com o meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural, o cenário exige atenção, principalmente do setor produtivo. “Há indicativos de um evento de moderado a forte, com possibilidade de se tornar um super El Niño no último trimestre do ano, quando as anomalias de temperatura do oceano ultrapassam os 2 °C”, explica.
Impactos
Entre os principais impactos esperados estão temperaturas acima da média, ondas de calor mais frequentes, aumento de chuvas na região Sul e risco de seca nas regiões Norte e Nordeste.
O alerta também se estende ao planejamento agrícola. Com base em padrões recentes, como os observados em 2023, produtores podem enfrentar atraso no início das chuvas e condições mais adversas para o plantio.
Outro ponto de preocupação é o contexto global de aquecimento. Os últimos anos já registraram recordes consecutivos de temperatura, e a combinação com um novo evento de El Niño pode agravar ainda mais esse cenário.