
No Instituto Biológico, vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, pesquisadores desenvolvem e produzem imunobiológicos que permitem o diagnóstico rápido de doenças como brucelose e tuberculose bovina, enfermidades que afetam os rebanhos e também representam risco à saúde humana.
“Aqui a gente produz imunobiológicos para diagnóstico de brucelose e tuberculose. São kits para detectar doença a campo. Então, o médico veterinário, ele vai fazer o diagnóstico desses animais para quando chegar no prato do consumidor, esse alimento estar seguro”, destacou o médico-veterinário do Instituto Biológico, Ricardo Jordão.
Antígenos
Os antígenos produzidos pelo Instituto Biológico permitem que médicos-veterinários realizem, diretamente no campo, diagnósticos rápidos e confiáveis para brucelose e tuberculose bovina. Cada frasco de antígeno para brucelose contém 160 doses e é utilizado em testes que analisam o soro do animal para identificar a presença da doença.
Como são desenvolvidos com base em décadas de pesquisa científica, os kits oferecem alta precisão e ajudam a prevenir falsos resultados.
O controle dessas enfermidades é essencial porque ambas são zoonoses, ou seja, podem ser transmitidas aos seres humanos por meio do consumo de leite cru, queijos não pasteurizados e outros produtos de origem animal contaminados.
Fabricação
O trabalho é realizado em um dos mais importantes complexos de imunobiológicos do mundo, responsável pela fabricação de antígenos utilizados por médicos-veterinários em todo o país.
Atualmente, o instituto atende cerca de 70% do mercado nacional de testes para essas doenças e distribui aproximadamente 10 milhões de diagnósticos por ano, com expectativa de ampliar esse número e retomar as exportações.
Diagnóstico rápido
Segundo o diretor do Centro de Pesquisa em Sanidade Animal do Instituto Biológico, Ricardo Spieker, os kits permitem que o diagnóstico seja feito diretamente no campo, garantindo rapidez e confiabilidade.
“No caso da brucelose, o teste é in vitro. Então você coleta o sangue desse animal, faz o teste em placa, em três minutos você tem o resultado. No caso da tuberculose, você tem que injetar na tábua do pescoço do animal. Depois de dois dias você volta para propriedade e faz a leitura. Então é um diagnóstico que não depende de muita estrutura, mas você consegue ter resultados extremamente confiáveis”, explica Jordão.
Controle de zoonoses protege consumidores
Brucelose e tuberculose são consideradas zoonoses, ou seja, podem ser transmitidas dos animais para os seres humanos. O consumo de leite cru, queijos produzidos sem pasteurização e outros produtos de origem animal contaminados representa um dos principais riscos.
Por isso, o monitoramento sanitário dos rebanhos é fundamental para certificar propriedades livres dessas doenças e garantir que alimentos como leite, carne e derivados cheguem com segurança ao consumidor.
Estrutura alia pesquisa e produção
O laboratório responsável pela produção dos imunobiológicos foi recentemente reformado, passou por auditoria do Ministério da Agricultura e está autorizado a retomar a fabricação dos produtos. Com mais de 70 anos de atuação, a unidade opera em nível 3 de biossegurança, classificação destinada ao trabalho com agentes de maior risco biológico.
A estrutura conta com sistema de contenção e filtragem de ar que impede a liberação de microrganismos para o ambiente, além de reunir uma equipe multidisciplinar formada por médicos-veterinários, biólogos e biomédicos.
Outro diferencial é a integração entre pesquisa científica e produção industrial. O instituto possui um fermentador considerado único na América Latina, permitindo incorporar tecnologias inovadoras diretamente na fabricação dos imunobiológicos.
Diagnósticos atendem todo o Brasil
O Núcleo de Sanidade Animal reúne 11 laboratórios dedicados à pesquisa e prestação de serviços em diferentes cadeias produtivas, incluindo bovinos, equinos, pequenos ruminantes e peixes.
Anualmente, o instituto recebe entre 80 mil e 100 mil amostras de todas as regiões do país e realiza cerca de 200 a 300 tipos de exames, voltados ao diagnóstico de doenças bacterianas, virais e causadas por protozoários.
Além da brucelose e da tuberculose, os pesquisadores monitoram enfermidades de relevância econômica, como a língua azul em bovinos, que interfere na exportação de animais e produtos pecuários, e doenças virais da avicultura, entre elas a influenza aviária, cuja vigilância é exigida para manter o status sanitário das granjas brasileiras.