Transferência de embriões acelera ganho genético de rebanhos

Tecnologia reprodutiva permite multiplicar animais, aumentar o número de fêmeas e acelerar a evolução genética mesmo em propriedades pequenas

vaca
Foto: Pixabay

A transferência de embriões tem se consolidado como uma ferramenta para acelerar o ganho genético dos rebanhos e tornar tecnologias antes restritas a grandes propriedades mais acessíveis aos pequenos pecuaristas.

A técnica permite que o produtor utilize vacas do próprio rebanho como receptoras de embriões gerados a partir de doadoras de alto valor genético. Em vez de comprar uma matriz mais cara, o pecuarista investe no embrião e potencializa o padrão genético do plantel.

“Isso tem feito com que a tecnologia da transferência de embrião esteja ao alcance e disponível para pequenos produtores que antes não conseguiam usar essa tecnologia por ter um custo de produção e um custo de aquisição maior do que a inseminação artificial”, destaca pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Bruno Carvalho.

Segundo Carvalho, a tecnologia permite maior flexibilidade no melhoramento do rebanho. Mesmo propriedades com animais mestiços, como girolando, podem receber embriões de outras raças leiteiras, elevando o padrão produtivo sem necessidade de substituir todo o plantel.

Processo genético

Além de acelerar o progresso genético, a transferência de embriões aumenta a probabilidade de nascimento de fêmeas de elite. Isso é possível com o uso de tecnologias laboratoriais e de sêmen que direciona o sexo dos bezerros e favorece a reposição de matrizes.

“Enquanto na inseminação artificial conseguimos escolher o semên dos melhores touros, na transferência de embriões, a gente produz em vitros embriões originados das melhores vacas, fertilizados os ósseos delas com o semên, o espermatozoide dos melhores touros”, explica Carvalho.

Como é feito?

As vacas receptoras passam por sincronização do cio e, cerca de sete dias depois do período esperado, recebem o embrião produzido em laboratório a partir de óvulos de vacas selecionadas e sêmen de touros superiores.

Apesar do potencial, especialistas destacam que o sucesso da técnica depende de planejamento e da escolha adequada das receptoras. Os animais devem apresentar boa condição corporal, nutrição equilibrada e controle de doenças, reduzindo o risco de perda gestacional.

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