POTENCIAL

Cerrado pode armazenar até seis vezes mais carbono que a Amazônia, aponta estudo

Estudo revela potencial oculto de áreas úmidas do Cerrado no armazenamento de carbono e reforça a importância da preservação do bioma

Cerrado
Foto: Juca Varella/Agência Brasil

Áreas úmidas do Cerrado revelam um potencial surpreendente de armazenamento de carbono, superando em muito as estimativas anteriores. Um estudo recente aponta que esses solos podem reter até seis vezes mais carbono que a Amazônia, especialmente em veredas e campos úmidos.

Segundo a pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas e do Cary Institute of Ecosystem Studies Larissa Verona, o diferencial da pesquisa foi a análise em profundidade do solo, chegando a até quatro metros, o que permitiu identificar estoques de carbono muito maiores do que os estimados anteriormente, que geralmente consideravam apenas as camadas superficiais.

“Eles estão distribuídos por mais ou menos 160 mil km² ao longo de todo o cerrado e acumulam essa quantidade impressionante de carbono que a gente antes não tinha uma percepção da dimensão para todo o ecossistema”, destaca.

Verona explica que, mesmo durante períodos de seca, esses ambientes permanecem alagados devido ao afloramento do lençol freático, contribuindo para a preservação de nascentes, rios e a biodiversidade local.

“O Cerrado, ele é um ecossistema seco na metade do ano. Então, a gente tem alguns meses de seca muito intensa e essas áreas elas continuam alagadas mesmo ao longo de quatro meses sem chuva”, explica.

A pesquisa também utilizou inteligência artificial e imagens de satélite para mapear a distribuição desses ecossistemas, mostrando que sua relevância é ampla. Agora, os cientistas buscam avançar para entender quanto carbono já foi perdido nessas áreas e como a degradação pode impactar o equilíbrio climático.

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