OPORTUNIDADES E DESAFIOS

SRB discute regulamentação do mercado de carbono e destaca oportunidades para o agro

Debate reforça a importância do financiamento e da regulamentação para inserir o agronegócio brasileiro nas oportunidades do mercado de carbono

agricultura de baixo carbono
Foto: Embrapa

A regulamentação do mercado de carbono brasileiro foi tema de debate promovido nesta quarta-feira (22) pelo Comitê de Sustentabilidade da Sociedade Rural Brasileira (SRB). O encontro reuniu representantes do setor produtivo e do governo para discutir oportunidades e desafios relacionados à implementação do novo sistema regulado de carbono no país.

O saldo da reunião foi positivo, especialmente pela aproximação entre o Ministério da Fazenda e o setor agropecuário. A discussão abordou os próximos passos da regulamentação e os caminhos para inserir o agronegócio nas oportunidades geradas pelo mercado de carbono.

De acordo com o CEO do Instituto Equilíbrio, Eduardo Bastos, embora a produção agropecuária primária não esteja incluída entre os setores regulados, o agro pode se beneficiar da agenda por meio de créditos de carbono e da adoção de práticas sustentáveis.

“Achei bastante positivo o diálogo, a construção e o encaminhamento de pautas para gente se reunir mais vezes, trazer ciência, tem muita ciência sendo feita pelo setor. A regulação é muito focada para a parte de energia, indústria, mas, sem sombra de dúvidas, o agro bem feito é parte da solução, inclusive do mercado popular”, destacou.

Avanços

A coordenadora de sustentabilidade da SRB, Maressa Vilela, ressaltou que o diálogo com o Ministério da Fazenda representa um avanço importante, especialmente porque as políticas ambientais passam a caminhar mais alinhadas às políticas econômicas.

Segundo ela, a construção do mercado regulado de carbono é complexa e exige o desenvolvimento de metodologias reconhecidas para medição, verificação e certificação da remoção de carbono. Apesar dos desafios, o processo já está em andamento.

A Lei nº 15.042/2024, que estabelece as bases para o mercado regulado de carbono no Brasil, já está em vigor.

“Até o final agora de 2026 as normas precisam ser definidas para os próximos passos serem serem dados. Então a gente vai continuar essa conversa. Ela não é uma fotografia, ela é um filme que tá em andamento”, destaca Vilela.

Expectativa

Para o setor agropecuário, a expectativa é que práticas já adotadas no campo possam futuramente gerar créditos de carbono. Entre elas estão o plantio direto, a manutenção da cobertura do solo durante todo o ano e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Marissa destacou, porém, que a ampliação dessas práticas depende de acesso a financiamento. Todas essas práticas têm potencial para gerar créditos de carbono, mas demandam investimento. Financiar boas práticas é essencial para acelerar essa transição, afirmou.

Além da possibilidade de geração de créditos, a adoção dessas medidas pode trazer ganhos indiretos aos produtores, como aumento de produtividade, acesso a crédito com juros mais baixos e abertura de novos mercados.