
Uma tecnologia criada dentro da universidade pode ajudar produtores rurais a usar água de forma mais eficiente e reduzir custos com monitoramento no campo. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um sensor de umidade do solo mais resistente à corrosão, com maior durabilidade e custo acessível.
O projeto nasceu de uma necessidade do próprio grupo de pesquisa, que buscava acompanhar, por longos períodos, as condições de umidade em experimentos realizados em laboratório.
Segundo o professor titular em Bioquímica na Unicamp, Eduardo Galembeck, os sensores metálicos convencionais apresentavam desgaste ao longo do tempo. Com a oxidação do material, as medições começavam a perder precisão, registrando valores inferiores aos reais.
A solução encontrada foi substituir o componente metálico por grafite, material abundante no Brasil e que já possui aplicações agrícolas. Diferentemente dos metais utilizados nos modelos tradicionais, o grafite não sofre oxidação quando permanece em contato com o solo.
“O grafite vai durar vários anos no solo sem ser degradado. O grafite ele já até é usado na agricultura, é usado para ajudar a dispersar semente no plantio. Então não tem problema nenhum em ser aplicado no solo”, destaca Galembeck.
Benefícios
O novo sensor mantém o mesmo princípio de funcionamento dos equipamentos já disponíveis no mercado, mas com vida útil significativamente maior. A expectativa é que ele opere durante anos sem necessidade de troca ou manutenção frequente.
Além da durabilidade, o baixo custo do dispositivo abre espaço para ampliar o monitoramento dentro das propriedades. A proposta é permitir que produtores acompanhem diferentes pontos do terreno e entendam como ocorre a retenção de água em cada área.
Essa informação pode contribuir para sistemas de irrigação mais eficientes, direcionando água apenas para locais que realmente necessitam e evitando desperdícios.
Outro diferencial da tecnologia é a possibilidade de adaptação para diferentes tipos de cultivo e características de solo.
Durante o desenvolvimento, os pesquisadores identificaram que o formato do sensor também influencia os resultados e passaram a criar modelos específicos para determinadas aplicações, desde vasos e hortaliças até culturas que exigem medições em maiores profundidades.
Desenvolvimento
O desenvolvimento começou em 2018 e contou com a participação de estudantes e pesquisadores de diferentes áreas. Parte dos protótipos também foi produzida com apoio de impressão 3D para testar novos formatos e acelerar ajustes no projeto.
Após a validação do modelo funcional, a tecnologia foi encaminhada para avaliação da agência de inovação da universidade. O sensor teve pedido de patente depositado e a proteção intelectual já foi concedida.
Expectativa
Em parceria com a Embrapa Meio Ambiente, a solução passou a ser testada em sistemas agroflorestais para acompanhar as condições do solo e apoiar estratégias de manejo da produção.
A expectativa agora é ampliar as aplicações da tecnologia e aproximar a inovação desenvolvida em laboratório da realidade das propriedades rurais brasileiras.