ANÁLISE DE SOLO

Tecnologia transforma análise de solo no agro sustentável

Parceria com a Embrapa leva tecnologia fotônica ao campo e permite análise rápida de solos, redução de custos e avanço da agricultura de baixo carbono

Tecnologia
Foto: reprodução/Planeta Campo

Uma tecnologia desenvolvida no Brasil está mudando a forma como a análise de solos é feita no campo e ganhando escala nacional com apoio da Embrapa. A chamada agrofotônica ou agrorobótica utiliza espectroscopia a laser para identificar, em poucos minutos, a composição completa do solo, unindo produtividade, sustentabilidade e potencial de inserção do produtor no mercado de carbono.

A inovação, baseada na tecnologia LIBS (a mesma utilizada pela NASA em missões em Marte) permite analisar rapidamente dezenas de parâmetros do solo e reduzir a dependência de processos químicos tradicionais.

A solução ganhou escala após a Embrapa firmar um contrato de licenciamento com a empresa responsável pela tecnologia, o que viabiliza a ampliação do serviço para áreas extensas com padrão técnico e maior rapidez na entrega de resultados.

Da pesquisa ao campo

A iniciativa começou a ser desenvolvida em 2014, quando o fundador da empresa teve o primeiro contato com tecnologias de instrumentação agrícola durante um evento em São Carlos (SP). A partir daí, surgiu a ideia de aplicar a análise fotônica para resolver gargalos da agricultura brasileira.

O desenvolvimento levou cerca de cinco anos em pesquisa e desenvolvimento, entre 2015 e 2020, período em que a empresa operou sem faturamento e sem investidores.

A virada veio com a criação de parcerias estratégicas com instituições de pesquisa e com a própria Embrapa, fundamentais para transformar a tecnologia em produto aplicado ao campo.

Como funciona a análise de solo

O sistema funciona a partir da coleta de amostras de solo em diferentes profundidades, que depois são enviadas para análise em laboratório especializado. O material é processado e transformado em pastilhas para leitura por laser.

A tecnologia permite a identificação de até 27 parâmetros do solo, incluindo nutrientes, carbono, macro e micronutrientes e características físicas.

Além da análise, o sistema integra inteligência artificial para gerar recomendações agronômicas personalizadas para cada área produtiva. O objetivo é apoiar decisões de manejo mais precisas, reduzir custos com insumos e aumentar a eficiência da produção.

Produtividade e mercado de carbono

A plataforma trabalha com dois pilares principais, produtividade e sustentabilidade. No campo produtivo, a tecnologia auxilia na recomendação de fertilizantes e corretivos com base na real necessidade do solo.

Na área ambiental, o sistema mede o carbono presente no solo e permite que o agricultor participe do mercado voluntário de crédito de carbono.

A proposta é inserir o produtor em um modelo de agricultura regenerativa, com potencial de geração de renda adicional por meio da comprovação do sequestro de carbono.

Escala nacional e impacto no agro

Após anos de desenvolvimento, a tecnologia entrou em fase de expansão e já atua em escala nacional, com previsão de alcançar mais de 1 milhão de hectares analisados.

As parcerias com instituições como a Embrapa são apontadas como essenciais para levar a inovação do ambiente de pesquisa para o mercado.

O impacto é direto em uma das principais dores do produtor rural, o custo de produção. Fertilizantes e corretivos podem representar entre 35% e 40% dos custos totais da lavoura. Com análises mais precisas, a tecnologia busca reduzir desperdícios e otimizar a aplicação de insumos.

Agricultura de precisão e sustentabilidade

A integração entre análise de solo, inteligência artificial e tecnologia fotônica também reforça uma tendência global de produção de baixo carbono.

Além de aumentar a eficiência produtiva, o sistema permite comprovar práticas sustentáveis, atendendo à demanda crescente de mercados internacionais por commodities com menor pegada de carbono.

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