
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) acionou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para solicitar medidas urgentes diante do desabastecimento de vacinas essenciais usadas na pecuária, com destaque para imunizantes contra doenças como tétano e leptospirose.
Segundo relatos de federações de agricultura e pecuária de todas as regiões do país, os estoques de vacinas voltadas ao combate de doenças bacterianas são os mais afetados. A entidade alerta para riscos sanitários e possíveis perdas de animais em função da escassez.
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De acordo com o coordenador de produção animal da CNA, João Paulo Franco, a situação já vinha sendo acompanhada desde o ano passado, após a descontinuação de uma linha de vacinas para grandes animais por uma empresa do setor farmacêutico. O caso levou a entidade a articular, junto ao Sindan e ao Ministério da Agricultura, alternativas para reduzir os impactos ao produtor.
Segundo Franco, a preocupação aumenta em um momento considerado crítico para a pecuária, marcado pelo período de desmama dos bezerros e início do confinamento, fases que elevam o estresse dos animais e o risco de doenças.
“A vacina, ela é a base da sanidade animal. Então, por mais que nós produtores façamos bem feito o nosso trabalho dentro de casa, nutrição, manejo, eu preciso da vacina para isso me dar uma segurança maior dentro da propriedade”, destaca Franco.
Doenças
Entre as doenças mais associadas ao cenário estão as causadas por clostrídios, como o botulismo, conhecido popularmente como “manqueira”. “Essa é uma doença que se desenvolve muito rápido. Então, quando o produtor começa a identificar, o animal já está morrendo” observa Franco.
A CNA reforça que a vacinação é considerada base da sanidade animal e essencial para reduzir perdas, mesmo em propriedades com manejo nutricional e sanitário adequado.
Apesar da preocupação com a produção, a entidade e o Ministério da Agricultura afirmam que não há risco à segurança da carne consumida pela população. O impacto, segundo Franco, fica concentrado dentro das propriedades rurais, afetando principalmente animais mais jovens.
Nota
Em nota, o Mapa atribuiu o desabastecimento ao encerramento das atividades de uma empresa farmacêutica no setor no fim do ano passado e início deste ano. A pasta informou ainda que atua junto à indústria e na liberação de imunizantes, com cerca de 15 milhões de doses já disponibilizadas.
A CNA defende a distribuição prioritária das vacinas para os estados mais afetados e a facilitação da importação de imunizantes e antígenos. A expectativa do setor é de melhora na disponibilidade a partir do segundo semestre.