
Tecnologia social desenvolvida por pesquisadores brasileiros para fortalecer a agricultura familiar e combater a insegurança alimentar já ultrapassa fronteiras e começa a ganhar espaço em países da África, além de regiões da América Latina e Caribe.
Criado a partir de estudos iniciados em 2002 e desenvolvido posteriormente dentro da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o chamado “Sisteminha” reúne diferentes módulos de produção animal e vegetal voltados principalmente para pequenas propriedades rurais e quintais produtivos.
O modelo foi pensado para garantir diversidade alimentar, baixo custo de implantação e melhor aproveitamento dos espaços disponíveis nas propriedades. A proposta combina produção de peixes, aves, hortaliças, compostagem, reaproveitamento de resíduos e reutilização de água, formando um sistema integrado de produção.
Ao todo, o Sisteminha possui 15 módulos diferentes, incluindo produção vegetal, animal e criação de insetos. Entre os principais estão piscicultura, avicultura de postura, compostagem, minhocultura e cultivo de vegetais em escalas de plantio semanais, quinzenais e mensais.
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O objetivo é garantir às famílias acesso contínuo a alimentos ricos em carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais, seguindo recomendações internacionais de segurança alimentar.
“Ele atende a questão da produção de alimentos para esse público de maneira integrada. Ele atende também a questão da disponibilidade de alimentos para pequenas propriedades. Daí esse nome “Sisteminha”, porque ele tanto pode ser utilizado para quintais de 400 m², quanto em pequenas áreas onde a gente pode produzir”, destaca o chefe-geral da Embrapa Maranhão, Marco Bomfim.
Bomfim destaca que o foco atual do projeto é ampliar a presença do Sisteminha em políticas públicas voltadas à agricultura familiar. Parcerias com ministérios e organizações do terceiro setor buscam expandir a tecnologia para mais comunidades em diferentes estados brasileiros.
A proposta também aposta no protagonismo das famílias atendidas. A ideia é que as comunidades aprendam a conduzir o sistema de forma autônoma, sem depender continuamente da presença do poder público.
Principais regiões
Inicialmente difundido no Nordeste, principalmente nos estados do Piauí e Maranhão, o Sisteminha já se espalhou pelo Brasil e passou a despertar interesse internacional, inclusive de organismos ligados à segurança alimentar.
O avanço do projeto ocorre em um cenário global de preocupação com a fome. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apontam que cerca de 670 milhões de pessoas ainda enfrentam fome no mundo, enquanto mais de 2 bilhões vivem com algum nível de insegurança alimentar, a maioria delas vivem em países da África e da Ásia.
Desafios e estratégias
Diante dos desafio, existem dois cenários importantes. O primeiro é a necessidade de reduzir o desperdício de alimentos, que hoje representa cerca de 1/3 de tudo o que é produzido.
E esse desperdício começa no campo, ainda na colheita, e segue por toda a cadeia, mas a maior parte do volume se concentra mesmo no consumo em casas, restaurantes e supermercados. O segundo ponto é continuar atendendo a demanda crescente por alimentos.